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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

Arriba!

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“As pessoas entram na nossa vida e jamais saem”

“As pessoas entram na nossa vida e jamais saem”

Resposta do Lama Padma Samten a um praticante (email de 2006)

Pergunta: “Se as mentes são as mesmas, num contato com outra pessoa, o que nos tira da serenidade é a intenção do outro? E se é, como são os detalhes desse processo?”

Lama Padma Samten:

“Cada pessoa atua em uma paisagem. Se a pessoa está perturbada, sua mente originalmente livre, idêntica a nossa mente originalmente livre, está atuando dentro de uma paisagem que é como um tabuleiro de jogo de xadrez — onde tudo faz sentido, mas apenas dentro daquele universo limitado. Esta é a perturbação usual de cada um. Uma pessoa, mesmo que não se sinta perturbada, ela tem a capacidade de — através de seu corpo, de sua fala e de sua mente — expressar-se naturalmente dentro da paisagem que está operando, mesmo que isto não seja intencional ou mesmo que ela evite fazer isto. Quando o outro olha este movimentos de corpo, fala e mente, tenta entender. Quando neste processo ele entende, é muito freqüente que ele entenda e ao mesmo tempo transfira sua experiência para dentro da paisagem da outra pessoa.

Transferir a experiência significa ficar preso às responsividades que passam a naturalmente surgir dentro desta nova paisagem. É como alguém que passou ao lado, viu as alternativas do jogo de xadrez que duas outras pessoas jogavam, e fica preso, quer dar palpites etc. Um aspecto é a paisagem que o outro entrou e o segundo aspecto é a responsividade atuando. Aí é simples. Se as alternativas do jogo são complexas, contraditórias, conflituosas, a responsividade surge assim também e a pessoa se sente muito mal. Tentar resolver isto dentro do jogo pode ser uma possibilidade. Outra possibilidade muito mais poderosa é propor outra paisagem.

A melhor forma de propor outra paisagem é manter-se claramente nesta outra paisagem, e dela, para benefício de todos, gerar as ações melhores e mais amorosas, compassivas, bondosas, equilibradoras, incrementadoras, transcendentes ou mesmo iradas (no sentido da compaixão irada).

Por que nossa ação pode ajudar? É que como as mentes são as mesmas, tanto as perturbações podem chegar a nós vindo das “nossas mentes” nos outros, como a nossa mente pode transferir-se para a “nossa mente no outro”. É como se todos tivéssemos pés iguais. Podemos doar ou emprestar sapatos uns aos outros com muita facilidade. Nossos pés são iguais, externamente vemos os sapatos. Os sapatos podem facilmente se transferir. Quando caminhamos, nosso contato com o mundo vem da artificialidade dos sapatos. Que possamos oferecer bons sapatos a todos…

As pessoas entram na nossa vida e jamais saem. Não há esta possibilidade. Quanto mais rápido pudermos entender que a ex-esposa é eterna, melhor. O caminho é imaginar urgentemente um mundo onde ela possa sentir-se feliz e nós também, cada um seguindo sua vida, ajudando-se mutuamente como for possível e com o mínimo de tensão para os filhos. Os filhos devem entender que o pai aprecia a mãe e a mãe aprecia o pai. Para isto tal paisagem especial é necessária. O samsara não tem base sólida, mas aparece diante de nossos olhos, vivo! Contemple esta maravilha!

Muito carinho, do Lama”