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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

Arriba!

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Como lidar com a morte da própria mãe?

Como lidar com a morte da própria mãe?

Trecho do ensinamento oferecido por Lama Samten em São Paulo, na palestra “Energia autônoma, lucidez e compaixão nas relações”, no dia 6/10/2017.

Pergunta: minha mãe faleceu há bem pouco tempo e gostaria de pedir ao Lama conselhos sobre como lidar com esse luto, que tem tantas fases.

Eu acho muito comovente isso. Mesmo que a gente encontre muitas explicações, muitas formas de entender, de justificar, o fato é que o silêncio segue. Isso é muito, muito intenso, eu acho.

As mães, de um modo geral, são também as guardiãs da nossa infância. Eu lembro de um poema da Catia Drummont, de Salvador, em que ela relata o que a perda da infância significou, ou seja, veio junto com a morte da mãe. Porque a mãe era a guardiã das lembranças todas. Ela tinha uma consciência de si a partir de um tempo, mas ela não tinha uma consciência mais longa daquilo. Eu acho muito comovente isso.

Por outro lado, muitos grandes mestres disseram para suas próprias mães “eu não sou seu filho”. Isso conecta numa outra dimensão. Porque a mãe está muito próxima da base contaminada a que nós nos identificamos como se nós fossemos aquilo. Os mestres se distanciam da base contaminada e dizem “Eu não sou seu filho”. Então, esse é um ponto que eu acho muito profundo, muito comovente, porque a mãe também não é a mãe. Nós não somos os filhos e ela também não é a mãe. Mas tem uma natureza livre, luminosa que se faz mãe. Do mesmo modo, nós temos uma natureza livre e luminosa que surge como filho(a). E há uma aliança durante um tempo e assim nós seguimos esse tempo. Do mesmo modo que a mãe precisa nos libertar da condição de filho(a), nós precisamos libertar a mãe da condição de mãe. Isso é libertar.

Libertar a mãe da condição de mãe é conectá-la nessa dimensão que está além da vida e da morte. Quando a gente entende desse modo é mais fácil compreender que a natureza que surge como a própria mãe agora está livre, livre dessa identidade, dessa forma de manifestação, ela talvez até mesmo retorne a uma dimensão muito ampla. A gente precisaria permitir que ela seguisse nesse voo, seguisse nessa direção. Do mesmo modo, nós também precisamos nos livrar do(a) filho(a) que nós somos. A gente precisa se livrar disso. Nós não somos isso também. Nós também somos essa dimensão muito livre nesse momento, operando desse modo.

Eu acho que o luto inclui tudo isso. Inclui a nossa morte dentro disso também, é uma coisa muito profunda. Tem um aspecto ainda de compaixão, porque muitas pessoas fatalmente irão perder as suas mães. É uma dor generalizada. Todos nós passamos por isso. Eu acho que o melhor mantra nesse caso é o mantra do Sutra do Coração: Om Gate Gate Paragate Parasamgate Bodhi Svaha, que significa “atravesse, atravesse com segurança para a outra margem”. A gente sai da margem do samsara para a margem da lucidez que brota livre das bolhas.

Ouça aqui a palestra completa. A resposta acima foi dada em 1:35.