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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

Arriba!

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Como surgiu a mente não lúcida?

Como surgiu a mente não lúcida?

Lama Padma Samten: Só existe a mente de Buda. Então, qual é a origem, qual é a substancialidade da mente não lúcida?

A mente de Buda é a realidade. E a mente convencional surge do quê? Ela não é a mente de Buda? O exemplo disso é exatamente esse: eu tenho uma mesma luz passando por um filtro, aí a luz troca de cor. Essa troca de cor vem pelo efeito do filtro, mas o princípio ativo é o mesmo. Isso significa que o princípio ativo é o mesmo sempre: essa luz. Mas ela passando por referenciais de um tipo ou de outro, se contamina.

Aqui, nós estamos olhando coisas muito abstratas, mas, se, de repente, usarmos um referencial do tipo “e no almoço, vamos ter o quê?”, trata-se de um referencial válido ou não? É válido! Então, essa mente ampla operando sobre a noção do estômago e do horário do almoço gera boas ideias. Agora, eu posso começar a operar só sobre o ponto de vista do estômago. Vou ter boas ideias estomacais. Chegarei à conclusão que o universo inteiro é um grande estômago. Ainda que eu veja seres com estômago por todo lado, essa é uma visão menor, é uma visão que está dependendo de um fator condicionado. Ela não está nem errada, nem certa. Ela não está errada, porque ela manifesta uma inteligência dentro do contexto. Ela não está certa, porque é um contexto limitado. Então, essa é a visão da mente limitada, inseparável da mente búdica e sem um engano, sem um erro, sem nada para eu criticar.

Se há algo a criticar é a bolha e o surgimento da bolha, em que a mente encontra um processo de espelhamento e não consegue atravessar a própria bolha. Então, a mente do estômago não consegue ver outra coisa a não ser as coisas relativas a esse âmbito. São como nós, seres humanos, que temos dificuldades de entendermos os outros seres. Olhamos outros animais sob o ponto de vista do ser humano, muito simples! Então, tem uma bolha. Isso é o sentido de obstrução. Precisamos ultrapassar as bolhas. Nós chegamos diante das coisas e brota um sentido obstruído da bolha onde nós estamos, não conseguimos atravessar, então, nós vamos ultrapassar a obstrução.