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Ação ecológica e pacifista

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A afirmação básica do pensamento ecológico é justamente a unidade intrínseca de todas as coisas, mas isto não é uma exclusividade, visto que para várias antigas e novas tradições, o universo é como um vasto organismo, no qual o mundo natural, e nele o homem, é apenas uma parte.

Este posicionamento, em um período da antiguidade no qual o taoísmo se tornou filosofia do estado na China, chegou aos aspectos jurídicos onde os crimes e disputas passaram a ser encarados como distúrbios no relacionamento do homem com a natureza – ou em seu sentido maior, com a unidade. No código jurídico da dinastia Tang, por exemplo, estava especificado o real perigo em substituir esta forma de análise por formas simplistas voltadas a punições. A prática jurídica deixa de ser a apuração da responsabilidade do infrator, para focar a natureza sutil da infração e sua origem. Todas as visões simplistas determinam análises incompletas, e estas análises incompletas que terminam sempre na delimitação de um inimigo a ser combatido.

Para os movimentos realmente pacifistas, não há inimigos a serem derrotados. Na visão de Gandhi, o importante não era combater os ingleses, mas juntos, indianos e ingleses deveriam libertar-se do fuzil que dominava a ambos: aos indianos que ficavam à frente, e aos ingleses que ficavam atrás. As visões corretas levam a objetivos corretos e à prática correta, resultando em ganhos reais. O ponto central da luta pacifista é descobrir o ponto sensível por onde o agente de desarmonia pode transformar-se em um agente de harmonia, sem nunca vê-lo como um inimigo ou adversário. A lógica da dor e da desarmonia é que é adversária de ambos.

Todos os seres desejam a felicidade e buscam se afastar do sofrimento. Assim podemos compreender uns e outros. Quando ações muito equivocadas e danosas são feitas, isto é sempre o resultado da perda de visão da unidade. Quando o foco mental se perde, surge a fragilidade a todo o tipo de flutuação e equívoco, e as pessoas ficam suscetíveis à manipulação. As tensões sociais e culturais são canais pelo qual são manipuladas sutilmente, tornando-se cúmplices de processos de agressão que colocam em risco tanto sua saúde quanto o planeta. É como se estivessem sob o efeito de um encanto que dá sentido a tudo e as conduz a práticas que as afastam até mesmo de seus princípios.

Assim, a população que sente os efeitos da degradação ambiental, social e de sua saúde, é a mesma que, com seus gestos, sem perceber, dá respaldo e sustentação à raiz das dificuldades. Este círculo de força afeta até mesmo os grupos que trabalham pelas transformações, e não pode ser vencido por oposição, mas apenas pela compreensão e abandono de sua lógica e automatismos. Para quebrar este encanto, é necessário o esforço de eliminação das artificialidades e automatismos mentais, e isto milenariamente é conhecido como meditação: tranqüilização, prática espiritual, reencontro com a serena natureza da unidade. Quando o príncipe Sidarta, por esta prática, tornou-se o Buda, disse: "Libertei-me daqueles que foram meus senhores por incontáveis vidas, as disposições mentais e seus agregados. Os seres se debatem como peixes em água rasa. O sofrimento existe, mas por depender de causas, pode ser eliminado e há um caminho para isso: o reconhecimento da natureza de unidade, espacialidade e luminosidade."

No sentido budista, o caminho é a superação completa dos obstáculos à experiência de unidade, e estes são os automatismos mentais que conduzem às ações equivocadas que produzem, por sua vez, as condições de sofrimento. Como os automatismos e impulsos surgem de uma região interna sutil, não basta a transformação das opiniões, mas é necessário chegar ao coração, que é onde as ações brotam, e repousa-lo na natureza da unidade. É retornar à unidade usando a própria unidade como caminho.

Não é possível chegar à unidade através de parcialidades e hostilidades. Esta compreensão, base do pacifismo enquanto método de atuação política, traz grandes benefícios quando incorporada na nossa vida cotidiana, formando a base de uma nova atitude que termina por obter transformações sociais de forma completamente natural e imperceptível.

 

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