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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

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O amor de mãe é incondicional?

O amor de mãe é incondicional?


Lama Padma Samten:  Acredito que algumas mães, numa certa percentagem muito grande, possam ter esse amor amplo. Esse amor incondicional é considerado uma coisa muito elevada, ou seja, a pessoa não espera nada em troca, olha para o outro ser e vê qualidades nele, apesar de todas as dificuldades que o outro ser possa apresentar.

No budismo, há uma diferença entre o amor e a compaixão. Por exemplo, uma mãe de porta de cadeia pode ter compaixão pelo filho e nem por isso ela considera que o filho está correto. Ela vê as dificuldades do filho e aspira que ele as supere, isso é compaixão. Mas ela também tem amor, porque ela é capaz de ver qualidades naquele ser, ninguém consegue ver isso, mas a mãe dele vê. Os outros olham com um olhar inferior.

Uma vez eu ouvi um diálogo real: eu estava visitando uma FEBEM em São Paulo e estava conversando com as psicólogas. Quando nós olhamos para o rosto dos meninos, aquilo dá dó. É muito emocionante, porque lá tem uns guardas fortes, portões pesados, cadeados. Eles colocam todos os meninos numa sala que possui janelas muito altas e eles se encostam um no outro e ficam se olhando. Eles estão amuados, são crianças pequenas, aquilo dá dó. É algo horrível, porque eles não conhecem ninguém lá, ou seja, elemento terra é zero. O elemento fogo fica em alta, todos agressivos.

As psicólogas dizem “às vezes, nós ficamos comovidas por isso. Nós temos que voltar e olhar os processos para saber o que eles fizeram, para gerar um equilíbrio.” Então, é como se brotasse compaixão e a capacidade de ver qualidades no outro, mas para a pessoa poder manter a sua atitude de carcereiro, ela precisa olhar com um olhar condicionado também, de um certo modo.

Essa qualidade, esse amor, no budismo tibetano é atribuído a Arya Tara; é como se fosse a emanação feminina do Buda. Chenrezig é isso também, uma manifestação compassiva dos Budas. Isso também é Kuan Yin, esse aspecto de amor de mãe.