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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

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Shamata e as relações

Shamata e as relações

Trecho do ensinamento do Lama Samten oferecido no retiro “Budismo, família e amores”, no CEBB Caminho do Meio, em outubro de 2007.

Essa capacidade de interromper é crucial. Por quê? Porque quando surgirem os obstáculos, por exemplo, nós precisamos saber interromper. A gente tem que ser capaz de interromper a paisagem invasiva, os pensamentos invasivos, a energia invasiva e a ação de corpo invasiva. Shamata introduz lucidez. Lucidez no sentido da própria arquitetura da lucidez. Shamata cria o observador atrás, sem criar esse observador atrás é muito difícil avançar.

Quando nós praticamos shamata, temos a capacidade de transformar qualquer coisa na experiência da coisa. Transformar qualquer coisa na observação da experiência da coisa. Isso é a base da lucidez. Shamata vai criar efetivamente a solidez do praticante. O praticante vai ter nascimento e estabilidade.

O praticante é aquele que observa o que acontece dentro dele, quando alguém grita com ele. O praticante tem um personagem atrás, ele converte o grito do outro na experiência do grito do outro, ele converte a raiva na observação da experiência da raiva surgindo. Tem um observador da experiência. Assim, ele desloca o que vai acontecer, ele desloca o que nós estamos manifestando, ele desloca de nós mesmos. Portanto, esse observador permite que a gente possa cortar sem grandes problemas aquilo que está surgindo, porque aquilo não somos nós mesmos, são automatismos.

Então, o praticante vai surgir assim. Quando nós sentamos, pode surgir uma coceira na ponta do nariz. O praticante diz: “trata-se de uma experiência de coceira na ponta do nariz”, assim, há um distanciamento da resposta. Ainda que todos os sinais inauspiciosos digam que nós deveríamos coçar a ponta do nariz, ainda assim, nós não só não coçamos, como também não piscamos. Então, surge o praticante, que vai permitir que as coisas flutuem na frente dele sem ele ter o engajamento negativo de fato. Essa prática é muito importante. Nós vamos precisar de um tempo para praticar shamata.

No caso das relações de família, shamata é crucial. Nós já temos várias coisas no automático, agora a gente vai precisar olhar aquilo e ultrapassar aquele automatismo todo. O automatismo existe pela falta do observador, pela falta do praticante atrás. Se a gente não praticar shamata, vai acabar casando com a mesma esposa ou marido muitas vezes.