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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

Arriba!

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Como que a natureza ilimitada produz o samsara?

Como que a natureza ilimitada produz o samsara?

A natureza ilimitada não produz o samsara. Nós vamos abandonar a noção de samsara. A natureza ilimitada produz bolhas de realidade e ela continua ilimitada dentro das bolhas. Mas, como nós estamos dentro de um ambiente que pensamos que é sólido, temos uma linguagem de passagem onde vamos chamar esse ambiente de samsara. Levamos um tempo para entender o samsara, depois que nós entendemos o samsara, nós vamos nos livrar do samsara e nós descobrimos que o samsara não é samsara: ele é a manifestação luminosa da mente que produz as múltiplas bolhas e faz tudo andar.Não tem nenhum momento que tenha qualquer coisa que vá competir com a natureza primordial. A natureza primordial é a base de tudo e se manifesta o tempo todo. O mundo não foi feito no passado, não tem um passado. O mundo se faz o tempo todo de modo não causal. Nós temos o olho de Brahma  , que constrói as coisas isso é a luminosidade da mente. Nós temos o olho de Vishnu que sustenta, e nós temos o olho de Shiva que destrói.

Antes da construção, da sustentação e da destruição, tem a natureza livre que pode manifestar a construção, a sustentação e a dissolução. É uma natureza livre, incessante e sem esforço. Quando nós construímos, uma vez construído, aquilo não existe fora. Aquilo existe porque nós estamos sustentado.

Dentro da linhagem Nyingma, há uma explicação assim: no início do mundo, a duração dos seres era indeterminada, ou seja, não havia tempo; aquilo surgiu e pronto. Depois, quando as opções começam a se ampliar, então aquilo pode ser uma coisa ou pode ser outra. Porque pode ser uma coisa ou pode ser outra, então quando é outra, surge uma interrupção da vida. Então, a vida é muito longa, mas termina, surge a morte. Depois, as vidas vão se reduzindo e se reduzindo. Por que? Porque surgem muitas opções…

Nos tempos de degenerescência, das borbulhas, a nossa vida é super curta pois nós estamos saltando de uma coisa para outra. É como alguém que decidiu ver um empreendimento em Recife, está fazendo boas coisas, e pensa que irá fazer isso e depois aquilo e aquilo. Ela tem uma sensação de vida. De repente, ela tem um convite de Brasília onde ela irá ganhar cem vezes mais, será super honrada. Ela abandona aquela [vida anterior] e passa para outra [nova]. Como as coisas em Brasília são rápidas, seis meses depois aquilo é uma outra bolha.

Isso são as mortes: em cada lugar que ela está ela tem uma visão completa que inclui o futuro. É uma visão que é muito completa e aquilo cessa. O Buda dirá: “Há um tempo onde nós vivemos cem anos e nos tempos de degenerescência, nós vivemos dez anos” eu acho isso já otimista, nós termos uma vida que possamos viver os personagens, as bolhas, por dez anos. Naturalmente, quando ouvimos isso, nós analisamos do ponto de vista grosseiro, o corpo físico. Mas, eu prefiro olhar sobre o ponto de vista sutil. Se olharmos do ponto de vista secreto, não há nem nascimento e nem morte. Porque? Porque aquilo que manifesta [as aparências] não está no tempo, está além de vida e morte. Quando as nossas existências das bolhas desaparecem, tem algo dentro das bolhas que não desaparece que enfim é o que nós somos. Esse é o aspecto secreto, aqui nós estamos num jogo de bolhas, que inclui os nossos corpos. Nossos corpos só tem um sentido dentro das bolhas, nossa natureza está além dos corpos. O nosso corpo é um conjunto de ações causais e de muitos seres. Nós temos muitas inteligências dentro.

Nós temos um corte e o corte fecha, não precisamos pensar sobre isso. As células pensam, os órgãos pensam, tudo pensa. “Pensar” é a originação interdependente. Dentro disso, há uma consciência que gere esse processo. Do mesmo modo que podem ter inteligências de grupo que regem o grupo. Há inteligências macro que regem aquele conjunto. Há inteligências na biosfera que regem a biosfera inteira e nós vamos indo. Cada nível desses, tem inteligências de bolhas específicas, e em todas elas, a função de operar dentro da originação dependente, é o que elas fazem. A originação interdependente é o exercício da luminosidade da mente.

Lama Padma Samten. CEBB Darmata, setembro de 2015. Retiro “O que fazer depois da meditação?”