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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

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Conheça as pinturas do templo no CEBB Caminho do Meio

Conheça as pinturas do templo no CEBB Caminho do Meio

Faça uma visita virtual ao templo. 

O templo do Caminho do Meio, teve suas pinturas iniciadas no fim do ano de 2007, quando o Lama Padma Samten fez o chamado para a artista Tiffani Gyatso para pintar, coordenar e treinar voluntários. Clique no botão abaixo para visualizar um panorama de 360º das pinturas e do templo:

Vista interna do Templo em 360º!

 

Tiffani iniciou seus estudos de thangka no mosteiro de Gandam, na Mongolia no ano 2000. Depois, na Alemanha completou seus estudos de design gráfico e finalmente foi aceita no Instituto Norbulingka, fundado por S.S. o Dalai Lama em Dharamsala onde estudou a arte tibetana da iconografia de thangka, de 2003 a 2006. As pinturas do templo finalizaram no fim de 2012. O vídeo abaixo mostra um pouco mais do decurso dos trabalhos de pintura dos paineis do Templo do Cebb Caminho do Meio em Viamão:

 

Tiffani leciona hoje em todo Brasil e guia grupos de estudo de Arte para Asia anualmente. Você pode saber mais no seu site.  Veja sua agenda de workshops em diferentes localidades e também curso Online de pintura tibetana de Thangka.  O livro publicado, entitulado “Vida e Thangka” está disponível na Amazon para kindle. Veja mais fotos do making of das pinturas do templo no facebook de Tiffani.

A artista faz aqui um agradecimento aos voluntários essenciais e colaboradores, que foram muitos. Fica aqui porém registrado o agradecimento especial àqueles que ficaram por um longo período: Elemar, Cinthia Sabbado, Luciana, Biba, Flavio, Pina e Vicente, Vera Axé, Regina Dresdler (coordenação), Isah, Miguel, Juca, Pelegrini, Guadalupe, Marge, Claudia Fanti, Tatá (com música), Cintia (com yoga para a equipe), Guilherme Erhardt (apoio e fotos), Mel Flores, Richerly, Suzana Uribarri, Sr. Walter.

 

Conheça os significados das pinturas nos murais do templo de Viamão:

 

1. Altar

O extenso altar, tem suas portas pintados com varias khandros, figuras do símbolo da energia feminina, de sabedoria e beleza, trazendo em suas mãos varias oferendas. Acima tem um dragão e uma fênix, simbolizando a energia masculina e feminina, união da compaixão e da sabedoria. Junto a eles, estão os 8 símbolos auspiciosos, assim como estão esculpidos na porta principal exterior. Nos armários estão guardados alguns sutras (livros em formatos compridos e retangulares, embrulhados em tecidos amarelos) que compõe os ensinamentos do Buda. No centro há um thangka tradicional de Buda Sakyamuni trazido da India, pelos discípulos de Lama Samten. Na parte principal ha imagens de mestres da linhagem de Lama Padma Samten, como o mestre Chagdud Rinpoche (que fundou o Khadroling, em Três Coroas) e estatuas dos 5 Diani Budas (as 5 Sabedorias, base de um dos ensinamentos principais que Lama Samten orienta). Há também vários ‘sets’ de 7 (as vezes 8) jarrinhas de água, que são trocadas todos os dias, simbolizando o saciar da sede (mental e espiritual) de todos os seres. Algumas tigelas tem oferendas dos 5 sentidos, simbolizando a dedicação de todos os sentidos para o Dharma.

 

2. Painel das 21 Taras com Tara Vermelha

Dependendo da tradição, a composição das 21 Taras pode ter inúmeras variações. Arya Tara se manifesta de diferentes facetas. Cada faceta da energia de Arya Tara é diferente e tem suas qualidades únicas. Em suma, cada uma das 21 Taras, nos protegem de todos os medos terrenos e espirituais, que são grandes obstáculos para a fruição da pratica. Elas protegem e abrem caminhos. A que esta no centro, é a Tara Vermelha (não tão comum quanto a Tara Branca e Verde), uma representação de uma Tara especifica que Chagdud Rimpoche trouxe do Tibete consigo. Ela tem um terceiro olho e em cima da flor de lótus segurada por ela; tem um arco e flecha de flores, simbolizando sabedoria penetrante e a conquista sobre todas as paixões ilusórias.

 

3. Painel com deidades e Prajnaparamita

Esse painel é uma composição de varias deidades importantes. Acima centro: Vajradhara: buda azul com braços cruzados segurando 2 vajras, é o Buda primordial, corpo de dharmakaya. Olhando de frente, acima da esquerda a direita, bodhistavas: Buda da Medicina. Chenrezig de quatro braços, o buda da compaixão. Amitayus, buda da longevidade. No meio à esquerda: Kalachakra com consorte, que representa o ciclo dos tempos e das 3 dimensões: externa, interna e alternativa (secreta). No meio à direita: Manjushri, o buda da sabedoria e dos estudos que com sua espada de fogo corta a raiz da ignorância e oferece o sutra de Prajnaparamita que carrega sobre o lótus que segura. No centrto Prajnaparamita, buda da sabedoria que carrega a essência dos ensinamentos de Buda. Aos pés de Prajnaparamita a Tara Verde, a salvadora e Tara Branca, que representa a longevidade para uma vida longa de praticas frutíferas. Abaixo da esquerda à direita o lendário herói tibetano Guesar, Mahakala e Dorje Lekpa, protetores do dharma.

 

4. Painel do Caminho do Meditante

Imagem didática dos passos do caminho do meditante em shamata. Elementos da imagem: O monge que segura um lasso é o individuo. A chama representa esforço. O elefante representa a mente e quando preto é a letargia que aos poucos vai se purificando. O macaco é a distração da mente (que pula de galho em galho). O coelho que assim como o macaco é abandonado no meio do caminho mais avante, é o torpor da meditação. O arco-íris é a compreensão de shunyata, o vazio e o voo é a liberdade completa da mente, despida de qualquer ilusão.

 

5. As Cinco Famílias de Budas – Diani Budas (acima da porta principal de entrada – que também corresponde as cores do mandala no teto).

Também conhecidos como os budas das direções, eles dividem a essência concentrada de cada elemento e sabedoria de Buda. Pertencentes ao nível Sambhogakaya, eles são:

Akshobya | Buda Azul | Sabedoria do Espelho

De cor azul e posição das mãos em bhumi-mudra, em que toca a terra com as pontas dos dedos para evocar a terra e testemunhar sua vitória sobre Mara, o senhor da ilusão. Ele representa a visão de um mundo não egoísta, em que se coloca na posição do outro para enxergar e compreender o mundo alheio. É a capacidade de se ver no outro e por isso é uma sabedoria como o espelho; sendo capaz de acolher e compreender ilimitadamente.

Ratnasambhava | Buda Amarelo | Sabedoria da Generosidade

De cor amarela e posição das mãos em varada-mudra, de generosidade. Sua visão é a capacidade de olhar por todos seres vivos com igualdade, tratar a todos como gostaria de ser tratado e se alegrar quando promove benefícios aos outros seres. Ele promove o espírito humilde que dissolve o orgulho que nasce daquele que se vê superior ao outro.

Amitabha | Buda vermelho | Sabedoria Discriminativa

De cor vermelha, posição das mãos em dhyana-mudra, de meditação. O Buda Amithaba, vermelho como um poderoso pôr-do-sol, representa toda a transmutação das paixões em compaixão e sabedoria. Com sabedoria enxergamos a essência impermanente dos objetos ao qual desejamos e nos apegamos, gerando muito sofrimento e muitas confusões. Quando compreendemos a natureza dos fenômenos, cada qual em seu ciclo de manifestar-se e decompor-se, nosso sofrimento gerado pelas paixões se ameniza a se dissolve por completo, dando-nos grande liberdade de ser.

Amoghasidhi | Buda Verde | Sabedoria da Causa e Efeito.

De cor verde, posição das mãos em abhaya-mudra, da coragem. Ele nos traz a compreensão de que ações negativas, geram negatividade, e que combater o ódio com ódio, apenas gera mais ódio. Sua sabedoria nos ensina a tomar a responsabilidade em transformar as ações negativas em respostas positivas e assim gerar benefícios a todos e a nós mesmos.

Vairocana | Buda Branco | Sabedoria Transcendente

De cor branca, posição das mãos em dharmachakra-mudra, que movimenta a roda do Dharma. Sua consciência é a pura manifestação de todos os iluminados, ele tem a visão final da realidade, onde a mente é livre de qualquer identidade fixa. Sua visão é além de desilusões e livre de qualquer fragmento de ignorância.

 

6. A Roda da Vida

Representação dos ciclos de morte e renascimento incessantes até atingir a iluminação, ou Nirvana, a libertação de Samsara.

No centro os três animais — porco, galo e cobra — representam os três venenos mentais — ignorância, desejo e aversão, respectivamente.

No segundo nível, a metade celeste e a metade obscura representam a oscilação e a insatisfatoriedade constantes da existênica condicionada.

No terceiro nível (o maior), os Seis Reinos da Existência Condicionada:

  1. Semi-deuses
  2. Deuses
  3. Seres Humanos
  4. Fantasmas Famintos
  5. Seres Infernais
  6. Animais

No aro exterior, os Doze Elos da Originação Dependente, começando com a Ignorância (Avydia, Elo 1) e terminado com o Nascimento (Elo 11) e a Velhice e Morte (Elo 12).

As caveiras dançando fora e jogando, são as representações das nossas distrações, perca de tempo e ilusões (no sentido que esquecemos que somos caveiras também). No alto da Roda, o Buda aponta para lua, lembrando que o mundo todo é como um reflexo da consciência universal, distorcida pelas ondas das nossas emoções e concluídas como verdade. Ele nos lembra de que através da aquietação da mente, veremos e seremos um com essa consciência sem distorções. Do outro lado, há a terra pura de Amithaba, um ‘lugar’, ou estado de ser iluminado e almejado fora da Roda de Samsara. O grande ser que segura a Roda da Vida é Maharaja, senhor da impermanência, representando a total e eterna transitoriedade dos seres e fenômenos quando observados da perspectiva limitada dos ciclos de renascimento e morte do Samsara, tendo obscurecida a natureza última das coisas, atemporais em sua lucidez total.

 

7. Painel dos mestres com Avalokiteshvara

No centro do painel vemos o Buda da Compaixão com mil braços e onze cabeças, Avalokiteshvara. Em cada palma das mãos há olhos, para olhar por todos os seres em todas as dimensões.

Bem acima está o buda primordial, Samantabhadra com sua consorte. Abaixo, buda branco, Vajrasatva, o buda que purifica os karmas.

Os três mestres que seguem de cima para baixo são: Sri Simha , Gampopa e Je Tsongkapa. Os quatro mestres acima da esquerda para direita são: Nagarjuna (com serpentes no topo de sua cabeça), Garab Dorje, Guru Rimpoche e Vimalamitra. No canto extremo direito da parede, de cima para baixo: o yogui Milarepa, em cor verde, Sakya Pandita e Bodhidharma.

Abaixo estão os mestres contemporâneos das 4 escolas principais do Vajrayana: S.S. 16º Karmapa, líder da linhagem Kagyu-pa; S.S 14º Dalai Lama, líder da linhagem Gelug-pa e também líder político do Tibete; S.S Chagdud Rinpoche, que trouxe para o Brasil a linhagem Niyngma-pa; e S.S 41º Sakya Trinzin, líder da linhagem Sakya-pa.

 

8. Guru Rinpoche e as 8 manifestações

Guru Rinpoche, é a figura central para o budismo tibetano, pois foi ele quem trouxe o budismo para o Tibete no século VII. Ele era um grande iogue e se manifestou sob diferentes formas, as mais conhecidas sendo as oito manifestações clássicas representadas neste painel. De cima para baixo, da esquerda para direita:

  1. Tsokye Dorje (Vajra Nascido do Lago | nascimento)
  2. Sakya Sangye (Leão dos Sakyas | ordenado com monge)
  3. Loden Chokse (Sábio Buscador do Sublime | maestria dos ensinamentos)
  4. Pema Gyalpo (Rei Lótus | reinando)
  5. Dorje Drolö (Vajra Feroz | domador de espíritos sob juramentos)
  6. Nyima Özer (Raios de Sol | domador de espíritos malévolos)
  7. Padmasambhava (Nascido no Lótus | estabelecendo o Budismo no Tibete)
  8. Sangye Dradok (Rugido do Leão | subjulgando as falsas doutrinas)

 

9. A Vida do Buda em 12 cenas (teto)

O Buda, como conhecido hoje, nasceu ha cerca de 2600 anos atrás, na fronteira entre Índia e Nepal, como um príncipe, da família Sakya (e por isso também conhecido como Buda Sakyamuni) – seu nome dado foi Sidharta Gautama. Um vidente da corte anunciou que o príncipe seria um grande rei guerreiro, ou um grande líder religioso, que abdicaria de todos propósitos mundanos. O rei, preocupado que seu filho se tornasse um renunciante, protegeu Sidharta de qualquer sofrimento, evitando que ele presenciasse a pobreza, a doença, a morte e a feiura, construindo grandes muros em volta do seu palácio. Sidharta viveu em luxo, beleza e prazeres. Aos 29 anos, ele se perguntou o que havia além dos muros e por mais que todos a sua volta diziam que não havia nada de interessante, Sidharta insistiu e viu pela primeira vez pessoas com fome, doentes, velhas e uma pessoa queimando em uma pilha em chamas. Ele nem sabia que existia morte. Ele ficou tão confuso e tocado que ele não conseguia mais voltar para sua vida de luxuria enquanto outros sofriam e enquanto ele próprio não sabia do seu destino. Então ele cortou seus cabelos, vestiu roupas de um pedinte de rua, tirou suas jóias pesadas, as quais deixaram apenas os furos compridos evidentes e fugiu do palácio para vagar pelo mundo.

Sidharta vagou por um longo tempo, ao encontro de muitos mestres na Índia, mas ele ainda não tinha a resposta sobre a origem e a cessão de todo sofrimento do mundo. Então ele sentou-se em profunda meditação e ascetismo, por alguns anos, comendo apenas o que caia em sua boca e só sairia daquela posição até achar suas respostas.

Um belo dia ele escutou um músico ensinando ao seu aluno a afinar as cordas de um instrumento, ele disse, “se você esticar a corda demais, ela arrebentará e se as deixar frouxas demais, elas não produzirão som algum – deves achar o caminho do meio.” Foi ai então que Sidharta viu que seu caminho de extremo ascetismo, também não o trariam respostas. Ele levantou-se e aceitou comida de uma camponesa. Seus seguidores ascetas não o compreenderam naquele instante e o abandonaram.

Alimentado e com seu corpo saudável, ele sentou-se debaixo de uma figueira, a árvore Bodhi em Bodh Gaia. Todos seus medos e duvidas o avançaram como um exercito em fúria, porém tudo que tocava em sua mente, se transformava em pétalas de flor. Tudo se dissolveu na origem de suas ilusões e nesse momento Sidharta compreendeu e se tornou o Buda – que quer dizer, aquele que despertou. O buda histórico chamado Sidharta Gautama ao nascer, é também conhecido como Buda Sakyamuni.

 

Conheça o Templo do Cebb Caminho do Meio em Viamão, Rio Grande do Sul.

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Como chegar!

 

Seguem algumas fotos dos trabalhos durante a realização dos painéis: