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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

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Lama Samten no 5º FAS: Fórum ADCE para Sustentabilidade

Lama Samten no 5º FAS: Fórum ADCE para Sustentabilidade


No dia 11/11/2015, Lama Padma Samten falou no 5º FAS, Fórum ADCE (Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas) para Sustentabilidade, ao lado do pastor Eduardo Bortolossi, com mediação do reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Carlos Alexandre Netto. O evento ocorreu no auditório do Hotel Plaza São Rafael, no centro de Porto Alegre.

Veja alguns trechos da palestra:

“As pessoas ficam presas em universos, em bolhas de realidade e esses universos justificam as suas ações.”

“Nós não somos as pessoas que pensamos que somos dentro das bolhas que a gente pensa que são as realidades. A gente nem vê as bolhas, a gente vive ali dentro e pensa ‘eu sou tal coisa’.”

“Na visão budista nós somos como um ser divino, que está além de vida e morte e constrói as realidades com os seus próprios olhos.”

“Os carmas representam estruturas internas nossas que se reproduzem múltiplas vezes nas nossas próprias ações. Elas tingem o nosso olhar e condicionam a nossa forma de ver. No caso da ciência a gente pode falar nas teorias.”

“Hoje estamos sob o primado da visão econômica. Isso surge como se fosse uma bolha de realidade. Hoje parece que a visão econômica é uma modernidade, mas ela não é. O Dalai Lama, por exemplo, vem e diz: o que sustenta o mundo é a compaixão. Cada um de nós está aqui porque alguém nos cuidou, sem objetivo econômico. Quando surge uma catástrofe, como resolvemos? As pessoas se solidarizam e usam a compaixão para sustentar as coisas.”

“A compaixão é efetivamente o que sustenta o mundo, o restante do jogo pode ser um jogo econômico, se quiser, mas se a economia falhar, a solidariedade surge imediatamente e nós estabelecemos um tecido social a partir da solidariedade. Isso é espiritualidade. Pra nós não é possível olhar para as outras pessoas e imaginar que estamos separados. A espiritualidade é isso: nós transcendemos as regras do jogo e somos capazes de ultrapassar nossas bolhas de realidade e olhar desse modo mais elevado, mais amplo.”

“O jogo das identidades não vai produzir felicidade. A felicidade vem de outra dimensão. Quanto mais acelerados nós estivermos dentro das bolhas, executando as nossas identidades de relação, identidades artificiais, mais distanciados nós estamos do mundo espiritual. Nesse contexto, parece difícil estarmos em algum lugar e podermos olhar de modo mais amplo.”

“Existe um mundo, que eu acredito que é a base da sociedade organizada, que é o bloco zero. A gente busca felicidade, saúde, equilíbro, harmonia, paz. Esse é um grupo super importante, porque ele é a base de todo o crescimento espiritual.”

“Existe um grupo grande que é o bloco 1. (…) Muitas religiões apontam que a nossa vida comum é apenas uma aparência. Bloco 1 é quando a gente descobre que essas aparências não são a vida.”

“O mundo que as pessoas veem é um espelho que reflete a mente delas. Então, a gente pode ter tolerância e paciência com as pessoas, porque elas estão se movendo dentro de um mundo que reflete a mente delas, incluindo os cientistas. Quando uma teoria muda e o cientista olha de outro modo, ele vê um outro mundo. Isso é sabedoria do espelho.”

“Quando a gente vê as pessoas fazendo tudo errado, mas a gente entende que elas estão fazendo aquilo dentro da bolha espelhada de realidade que elas operam, brota compaixão em nós. A pessoa não precisava estar fazendo o que está fazendo. Não brota julgamento, nem condenação, brota compaixão.”

“A compaixão não é pena, não é dó. Ela é compaixão. Ela é vitoriosa, ela imagina que a pessoa pode ultrapassar as suas dificuldades.”

“O amor nos permite ver qualidades na pessoa e estabelecer a relação a partir das qualidades.”

“A compaixão e o amor são virtudes de sabedoria. Qualquer chefe precisa operar com isso numa equipe, senão ele vai perder sua equipe, porque numa equipe as pessoas estão cheias de problemas e dificuldades.”

“Quando praticamos o olhar de compaixão e amor, naturalmente surge alegria, que nos alimenta.”

“Nós vivemos totalmente em rede. Nós não somos seres humanos. Só na bolha humana limitada nós pensamos que nós somos seres humanos. Nós somos totalmente integrados. Nós podemos dizer que nós somos células dentro de organismos mais amplos, células que pensam de um certo modo. Nós não conseguimos viver sem os outros seres.”

“A vida não é o ser humano, a vida é a vida. A vida é alguma coisa muito incrível. A vida não é uma coisa banal, é uma coisa misteriosa, extraordinária. Ela em si já é espiritual.”

“O silêncio mais profundo significa eu poder ultrapassar a bolha. O que eu sei é um tipo de ruído que perturba a possibilidade de eu ver além do que eu sei, além da bolha”.

“O segredo da sabedoria está no silêncio. O silêncio que pode nos levar além do que nós já sabemos.”

Assista ao vídeo da palestra