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Budismo, meditação e cultura de paz | Lama Padma Samten

Arriba!

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Texto histórico do Lama Samten sobre o surgimento do CEBB

Texto histórico do Lama Samten sobre o surgimento do CEBB

Foto de 1999, na sede do CEBB na rua Barão do Cerro Largo, no bairro Menino Deus, em Porto Alegre.

O texto abaixo foi escrito em junho de 1998 por Lama Samten e publicado, na época, na Revista Bodisatva online.

O que é o CEBB? Como surgiu e qual o propósito do Centro de Estudos Budistas Bodisatva?

Antes mesmo do Espaço e Tempo, do Nome e da Forma

Sem fé, desista. Como crer em sua força esquecendo a força de todos os seres de sabedoria? Seria pueril, inútil. Como criar algo sem fé nos Budas? Criar algo pela força do carma e dos impulsos? O samsara inteiro já está abundantemente dotado de obras inúteis, efêmeras, frágeis, expressão dos seis venenos, palácios dos seis reinos. Não construa por sua força, apenas siga a boa motivação, a inspiração que vem dos Budas e se manifesta pela decisão de superar suas próprias dificuldades e ajudar os outros seres – a cada respiração, a cada inspiração e a cada expiração. Como um rio que corre e não deseja construir e nem destruir, mas porque corre com fé, sem dúvidas, seu leito surge e também surgem as margens, os peixes, os pássaros e as árvores que se inclinam e tocam suas águas. E surgem as ilhas, os vales, as curvas e meandros. Um rio é uma expressão de fé, ele apenas corre. Surgiu do silêncio, um dia terminará. Enquanto correr, produzirá o som do Darma do Buda, e assim também no seu desaparecimento. Quando seu fim chegar, murmurará como o Buda a seus discípulos: não vim e não vou.

O Centro de Estudos Budistas surgiu de forma natural, como pedras empilhadas por águas que correm. O Surangama Sutra, o Sutra do Diamante, o Sutra do Coração e, mais adiante, o Lankavatara Sutra, mostraram o poder liberador que os ensinamentos do Buda poderiam ter para muitas pessoas e, movido por esta motivação, surgiu o CEB como modo de fazê-los circular. O poder dos textos produziu movimento e a água do rio passou a correr. Os textos ganharam forma na nossa língua e tudo passou a ganhar impulso. Com fé, como uma prática natural e sem esforço.

A prática em grupo

Os estudos em grupo originaram uma sanga. A sanga originou a meditação em grupo. A prática em grupo originou a necessidade de mais instruções, de retiros, de salas de prática. Em 1989, surgiu a sala de práticas da rua Barão do Cerro Largo e o budismo era quase desconhecido em Porto Alegre e no Brasil. Tokuda San inaugurou a sala com o nome de Sanguen Dojo, significando o local da prática mais profunda. Este nome veio como uma menção aos seshins organizados por Narazaki Roshi no Japão, que eram chamados de Sanguen Seshin. Muitos mestres e professores do Darma passaram por esta sala: Lia Diskin, Alexander Berzin, Rinchen Darlo, Lodi Gyari, José Ignácio Cabezón, Tokuda San, Moriyama Roshi, Zuimyo Sensei, a delegação de monges do mosteiro de Gaden-Shartze, Geshe Lobsang Jamyang, Lama Sherab Dorye, Lama Sangye Dorye, Lama Rinchen Kandro, S.E. o Lama Chagdud Tulku Rinpoche, Lama Tsering Everest. Estes mestres não só visitaram a sala de meditação, mas cada um deles se hospedou na própria sede do CEB Menino Deus.

Gerações de praticantes passaram por este local. As paredes ouviram ensinamentos de três diferentes mestres Zen e ainda hoje ali há o som do Makahannya. Ressoaram também neste local os ensinamentos e práticas Gelugpa e Kagyupa. E neste mesmo local Chagdud Rinpoche deu a primeira iniciação Nyingmapa do sul do Brasil, na noite do dia 15 de agosto de 1993, um domingo, para 75 pessoas comovidas, em sua quase totalidade praticantes zen, compactados em seus 26 m2. Dias depois, passou-se a ouvir nesta sala os ensinamentos do Dudjom Tersar Nongdro e as “Palavras do Meu Professor Perfeito”, bases para o grupo de prática de Nongdro do agora criado Chagdud Gonpa Yeshe Ling.

Foi desta sede da rua Barão do Cerro Largo que o CEB organizou, juntamente com a Associação Palas Athena e sua presidente, a professora Lia Diskin, a vinda de Sua Santidade o Dalai Lama a Porto Alegre em 1992. Lá também Chagdud Rinpoche tomou as decisões de se instalar no Rio Grande do Sul, de escolher Três Coroas, de adquirir a terra de Águas Brancas. Lá Moryiama Roshi assumiu o Sanguen Dojo e o transformou em um Zendo. Lá o zen coreano de Dae San Sanin encontrou um local de prática semanal. Lá também surgiu em 1990 a Revista Bodisatva, criada por José Eishin Fonseca, seu editor até hoje e Maria Elisa. Durante muito tempo, a revista foi a elo de ligação entre diferentes grupos budistas do Brasil e o ponto de contato de praticantes antes isolados. Os grupos surgiram, os mestres deram ensinamentos, o rio correu e segue correndo, sempre com o coração focado nos Budas.

Menino Deus e Caminho do Meio

A compaixão e fé de uma mãe deu origem à sala da rua Barão do Cerro Largo, no Menino Deus, em Porto Alegre e, depois, a casa inteira transformou-se na sede do Centro de Estudos Budistas Bodisatva. Neste ano de 1998, completa-se uma década de ininterrupta atividade do Darma neste local. Foi aí que Lama Samten deu seus primeiros ensinamentos em março de 97 e colocou as cinzas de sua mãe no altar dos Budas em março de 98. Foi aí que Padma Samten deu impulso e manteve operando, de agosto de 1993 a agosto de 1995, o Chagdud Gompa Yeshe Ling. Neste mesmo local, Ryo Do conduziu o Sanguen Dojo, juntamente com Gehrard Kakushin, desde seu surgimento em 1989, até 1993 e também ali recebeu as cinzas de sua irmã. Na mesma casa, na parte térrea, Alfredo Aveline e Gehrard Kakushin conduziram estudos e práticas de 1986 à 1989, tendo ainda o apoio do apartamento na rua Botafogo, primeiro endereço do CEB, onde tudo começou no segundo semestre de 1984.

No final de 1997, Lama Samten sentiu que a sala estava pequena e, devido ao crescimento do grupo de praticantes, em pouco tempo surgiriam dificuldades de espaço. Inicialmente pensou-se em ampliar a sala sobre toda a casa. Após, em construir uma casa de madeira no pátio de trás. Finalmente, o que parecia impossível: a compra de uma área de terra na proximidade de Porto Alegre, no município de Viamão, com duas casas de alvenaria, pomar, arroio, muitas árvores nativas, muito espaço para construir. Tudo isto acionado pelo coração de 30 praticantes que, comprando trinta unidades de 500m2 do CEBB, permitiriam ao Centro de Estudos Budistas Bodisatva adquirir a área toda de 42.000m2. E a localização? Na Estrada do Caminho do Meio, Travessa da Luz, Viamão/RS. Por conhecer o centro e o lama, o proprietário financiou o total em 60 parcelas indexadas ao CUB, sem exigir garantias. O trabalho dos arquitetos transformou o projeto de 30 unidades de 500m2 em 28 unidades, algumas de 300m2 e outras de 500m2. Surgiu a idéia do projeto arquitetônico do conjunto e das várias opções de casas de moradia, e muitas outras idéias foram sendo implementadas e seguem em evolução.


A sanga na nova sede do CEBB, na Estrada Caminho do Meio, 2600, em Viamão. Esse local onde era a sala de meditação hoje é o alojamento feminino.

No final de 1997, houve uma troca do estatuto do CEB, e o centro se transformou no Centro de Estudos Budistas Bodisatva, CEBB, incorporando o nome “Bodisatva”, vindo da revista que o centro publica. Também entre os objetivos foram incluídas motivações ecológicas e filantrópicas, preparando o CEBB para atuar mais amplamente em sua nova sede. Em março de 1998, a mãe do Lama Samten, grande benfeitora do CEBB, faleceu em conseqüência de uma isquemia cerebral manifestada em fevereiro, trazendo uma sombra sobre as possibilidades do CEBB continuar usando a casa da rua Barão do Cerro Largo. Em julho de 1998, a sede do CEBB foi transferida da rua Barão do Cerro Largo para o Caminho do Meio, assinalando uma nova etapa na vida da entidade.

Os moradores e a ação compassiva no Caminho do Meio

Na nova sede, tivemos episódios de invasões e roubos em janeiro e fevereiro, e após em julho e outubro. A fragilidade da segurança na nova sede levou-nos a apressar a ocupação das casas e aumentar a presença de praticantes e a freqüência das atividades de ensinamentos e meditação. Assim surgiu um grupo de pessoas que mantinham as práticas e as oferendas na sala de meditação e acolhiam amorosamente os visitantes e praticantes, sustentando de modo sorridente e afetuoso todos que aqui vêm durante as programações de ensinamentos e retiros do centro. Dessa forma, o centro do Caminho do Meio está sendo mantido limpo, com sua cozinha operando acolhedoramente, com sua sala de meditação e alojamentos sempre prontos, com sua horta produzindo. Com base nisso, todas as operações para a instalação dos moradores são beneficiadas pois há sempre quem acolha os diversos profissionais como geólogos, agrônomos, engenheiros, arquitetos, biólogos e outros que aqui executam suas funções. Os custos desta presença humana é inteiramente coberto pelas próprias pessoas que constituíram e administram um fundo que cobre as várias despesas como telefone, alimentação, luz e água, e também sustenta os animais indispensáveis para a segurança. Estes moradores aqui estão cumprindo um objetivo do próprio centro que é manter sua sede e suas atividades, e todo o desenvolvimento futuro da área está se beneficiando desta presença pioneira e generosa.

Tal presença amorosa cria méritos na relação com as várias pessoas que aqui passam e isto reverte em benefício do CEBB e dos futuros moradores, produzindo uma atmosfera positiva e protetora. Com base nessa atividade e nesta atmosfera protetora, estamos podendo expandir a ação do centro, possibilitando a criação de oportunidades de trazer benefício concreto a outras pessoas, especialmente a ação compassiva dos vários praticantes está agora podendo se estruturar para logo chegar nos muitos seres que, vivendo ao redor de nossa sede, precisam tanto de carinho, como de atenção e de apoio concreto. Há um lindo grupo de médicos, dentistas, psicólogos, artesãos, educadores, artistas que agora começou a se reunir para atuar de forma compassiva e coordenada, manifestando os referenciais budistas das qualidades incomensuráveis e das seis perfeições, praticando na forma de alcançar com sua mente as dificuldades dos outros, olhando-as como se isto estivesse ocorrendo consigo mesmo, agindo para superá-las e alegrando-se com os resultados positivos.

O que é o CEBB?

Foi criado como uma associação de caráter cultural e não-religioso, para chegar onde as pessoas estão, levando os ensinamentos que revelam a origem das dificuldades que todos os seres enfrentam e como superá-las, sem que para isto as pessoas precisem fazer uma confissão de fé budista. Seu foco é auxiliar as pessoas através da educação. Sendo uma instituição religiosa, sua ação estaria limitada, sendo cultural, acolhe a todos indistintamente, sem privilégios ou exclusões. Não busca criar sustentação econômica para seus dirigentes, por isso, é declaradamente sem fins econômicos. Os cargos de direção não são remunerados e não podem sê-lo. Também evita qualquer parcialidade política, pois isso produziria a impossibilidade de se manter uma atitude completamente aberta e acolhedora a todos. Sua ação está centrada em auxiliar as pessoas através do estudo e prática do Budismo em qualquer de suas linhagens de transmissão e favorecer o intercâmbio entre as culturas budistas e não-budistas, sendo que o pensamento filosófico e científico, assim como a expressão artística e cultural ocidental ou oriental também constituem áreas de interesse e atuação.

Como os ensinamentos do Buda contemplam as qualidades de generosidade, moralidade, paciência e energia, que são qualidades de ação positiva no mundo, para a consecução dos seus objetivos o CEBB desenvolverá não só as atividades educacionais usuais, mas também atividades filantrópicas, humanitárias, ecológicas e comunitárias. O Lama Padma Samten, atual presidente do CEBB e inspirador de sua ação, tem atuado como docente nos programas de formação de várias entidades voltadas ao desenvolvimento humano, como a Fundação Peirópolis (SP-MG), a Universidade Holística Internacional (RS), o projeto Semente (BA). A partir de sua atividade em Curitiba, surgiu o Centro de Estudos Budistas Paramitta, que em 1999 foi anfitrião da visita de Sua Santidade o Dalai Lama. Em 1997, ajudou a organizar a Rede de Educadores para uma Cultura de Paz, cujo objetivo é oferecer a troca de informações entre os que utilizam a educação como modo de produzir um ambiente humano mais harmonioso. Em 1999, ajudou a criar a Teia da Paz, voltada a divulgar e apoiar as iniciativas de transformação social que visam o benefício direto dos seres. Os ensinamentos que oferece no Caminho do Meio e na sede do Menino Deus do CEBB e nos vários locais para onde é convidado centram-se na noção de “Valores Permanentes para a Vida Cotidiana”, buscando, através da sabedoria budista, oferecer referenciais seguros e práticas de meditação, estudo e ação compassiva.

Carta Aberta

Os referenciais internos e a inspiração incessante do CEBB está nos Budas, já os externos foram desenvolvidos de forma independente, mas coincidem surpreendentemente com as recomendações do documento chamado “Carta Aberta aos Professores Ocidentais”, escrito pelo The Network for Western Buddhist Teachers, cujos pontos principais estão transcritos à seguir.

Carta Aberta à Comunidade Budista

(The Network for Western Buddhist Teachers/ C/o Rand/ 1821 Star Route/ Sausalito, CA 94965, USA) Histórico: De 16 a 19 de março de 1993 ocorreu um encontro em Dharamsala, Índia, entre Sua Santidade o XIV Dalai Lama e um grupo de vinte e dois professores ocidentais de Darma das principais tradições budistas da Europa e América. Também presentes estavam os lamas Tibetanos Drikung Chestang Rimpoche, Panchen Otrul Rimpoche e Amchok Rimpoche. O objetivo do encontro foi discutir abertamente uma vasta gama de assuntos relativos a transmissão do Budadarma para as terras ocidentais. Após quatro dias de apresentações e discussões, os participantes concordaram nos seguintes pontos:

1. Nossa responsabilidade primordial como budistas é trabalhar pela criação de um mundo melhor para todas as formas de vida. A promoção do Budismo enquanto uma religião é uma preocupação secundária. Gentileza e compaixão, promover paz e harmonia, assim como tolerância e respeito por outras religiões, devem ser os três princípios guiando nossas ações.

2. No ocidente, onde tantas tradições budistas existem lado a lado, precisamos estar em constante guarda contra os perigos do sectarismo. Tal atitude divisória é geralmente o resultado da incapacidade de compreender ou apreciar qualquer coisa fora de nossa própria tradição. Professores de todas as tradições budistas beneficiariam-se muito do estudo e de alguma experiência prática dos ensinamentos de outras tradições.

3. Professores devem estar abertos às influências benéficas de outras tradições seculares ou religiosas. Por exemplo, as percepções e técnicas da psicoterapia contemporânea podem freqüentemente ser de grande valor na redução do sofrimento dos estudantes. Simultaneamente, esforços para o desenvolvimento de práticas psicologicamente orientadas a partir das tradições budistas existentes devem ser encorajados.

4. A posição de um indivíduo como professor nasce em dependência das necessidades de seus alunos, e não simplesmente ao ser apontado como tal por uma autoridade maior. Portanto, grande cuidado deve ser exercido pelo discípulo na escolha de um professor adequado. Tempo suficiente deve ser concedido para esta escolha, a qual deve ser baseada em investigação pessoal, razão e experiência. Alunos devem ser advertidos contra os perigos de caírem presas de carisma, charlatanismo ou exotismo.

5. (…) De forma que o Darma do Buda não seja desrespeitado, e para evitar dano a professores e alunos, é necessário que todos os professores vivam ao menos pelos cinco preceitos leigos. Em casos onde padrões éticos tenham sido infringidos, compaixão e cuidados devem ser direcionados tanto ao professor quanto ao aluno.

6. Assim como o Darma se adaptou a muitas culturas diferentes ao longo de sua história na Ásia, da mesma forma, está condicionado a se transformar de acordo com as condições no ocidente. Apesar dos princípios do Darma serem atemporais, precisamos exercer uma cuidadosa triagem ao distinguir entre os ensinamentos essenciais e armadilhas culturais. Apesar disso, confusão pode aparecer por várias razões. Pode haver um conflito de lealdade entre o comprometimento a nossos professores asiáticos e a responsabilidade com nossos discípulos ocidentais. Da mesma forma, podemos encontrar discordâncias com relação ao valor respectivo das práticas monásticas e leigas. Além disso, afirmamos a necessidade da igualdade entre os sexos em todos os aspectos da teoria e prática Budistas. Os professores ocidentais foram encorajados por Sua Santidade a tomar maiores responsabilidades em criativamente resolver os tópicos levantados. Para muitos, o conselho de Sua Santidade serviu como uma profunda confirmação de seus próprios sentimentos, preocupações e ações.

Sustentação e projetos

O CEBB sustenta-se por méritos e não financeiramente. Praticando as quatro qualidades incomensuráveis e as seis perfeições surgem méritos e, assim, os meios de ação surgem e se mantém. De forma prática, isso se dá pelo fato de que na medida em que nossas necessidades surgem, os meios para preenchê-las também surgem. Assim foi com o prédio da Barão do Cerro Largo e também com a nova sede. Foi também com a própria revista Bodisatva, com os eventos todos. O CEBB nunca teve contribuições mensais significativas vindas de sócios ou de doadores regulares, mas, na medida em que necessidades surgiram, os recursos financeiros ou concretos se manifestaram.

Mais recentemente as atividades didáticas do Lama, tanto em Porto Alegre como em Viamão e em todas as partes onde vai, são parcialmente destinadas à sustentação financeira do centro. No momento, temos projetos razoavelmente grandes, como a construção de um primeiro prédio para as atividades no Caminho do Meio. Outros prédios deverão seguir-se dentro da perspectiva de cumprir funções específicas do destino educacional do centro. Não temos nenhuma previsão de doações ou de destinação financeira para estas construções, mas isto não nos aflige, pois deverão surgir quando efetivamente necessárias.

Entre as possibilidades que estão ganhando concretitude está a construção do prédio central. Este prédio servirá como templo e também como escola. Mais adiante o prédio dos banheiros, a escola específica, depois um prédio de retiros para meditação silenciosa e meditação isolada no bosque junto ao arroio, e ainda pequenos prédios de retiros individuais também neste bosque. Pensamos ainda em espaços para projetos agrícolas em áreas adicionais às atuais.

Consideramos que o surgimento dos meios deve se dar por méritos. Assim, se os méritos não são suficientes, isto é um sinal de que o projeto não está maduro. É completamente claro que se há méritos, a viabilidade surge e que o surgir da viabilidade é a própria manifestação dos méritos. Os projetos não têm méritos em si mesmos, mas na inseparatividade com todos os seres. Assim, se dentro da inseparatividade não surgem os meios, isto não seria mesmo uma clara definição da carência dos méritos? Executar o projeto mesmo com carência de méritos significa uma ação não-virtuosa.

Foto de 2001

Estrutura organizacional

O CEBB tem sócios, eleições periódicas, uma diretoria com presidente e vice, dois tesoureiros e dois secretários, há ainda o conselho fiscal. O estatuto está registrado no Cartório de Registros Especiais e prevê a flexibilidade de criar outras instâncias administrativas à nível de diretoria sem necessitar a mudança de sua estrutura e é o que no momento pensamos fazer com respeito à administração e manutenção das áreas de moradia e das áreas circundantes de uso comum. Está registrado junto à administração pública, enquadrado na legislação, representado junto à receita federal, declara renda anualmente, não tem dívidas e nem pendências judiciais. Atualmente, tem contas bancárias em seu próprio nome no Banco Itaú para seu próprio uso e no Bamerindus para manejar os fundos relativos à compra da terra do Caminho do Meio, aos pagamentos das diversas parcelas e às despesas conjuntas dos futuros moradores com respeito à instalação das áreas de moradia. Sua principal fonte de despesas se dá na operacionalidade de sua comunicação, essencialmente os telefones e despesas de escritório e a manutenção das sedes. Como investimentos, está adquirindo um computador, uma impressora, e a área de terras do Caminho do Meio.

Não é necessário associar-se ao CEBB para ouvir ensinamentos ou participar de retiros, nem para ir às práticas no Menino Deus ou no Caminho do Meio, você é muito bem vindo para participar das atividades. Não se examine pensando: “Tenho qualidades? Tenho merecimento?” Se o rio lhe atrai, sua vontade de vir já expressa a resposta. Mas se seu coração se alegrou com este rio que flui além do tempo, além do espaço, talvez esteja presente uma motivação idêntica a que manifestou o CEBB, é água encontrando água. Não pergunte “se”, é tão simples como fluir junto. Você é muito bem vindo para criar as atividades. Agora, se você alegra-se em corpo fala e mente com a sorte deste rio, se você sente-se como os peixes que dentro dele vivem, inseparável de suas águas, você é muito bem vindo para sustentá-lo, em corpo, em fala, em mente – como for. Como seria diferente?

Lama Padma Samten